segunda-feira, fevereiro 17

EXCLUSIVO: Jovens denunciam casos de homofobia e racismo dentro de escola

Relatos foram enviados ao jornalismo da REDE B HD.

“Ele tinha 11, 12 anos e sofria homofobia da parte dos professores, da parte da coordenação, funcionários.”

O relato é de uma ex-estudante de uma escola particular localizada no bairro Cristo Redentor, em João Pessoa (PB).  A jovem, que não quis ser identificada, afirma que presenciou casos de homofobia dentro da unidade de ensino. 

“Ele falava para coordenação, dizia que estava errado (a situação) e, a coordenação dizia ‘calma, vai passar’ e ria. E ele achava que era por causa do turno, era uma criança, então ele passou para manhã e, mesmo assim, continuou ocorrendo, continuou acontecendo, os professores zoando, os funcionários tirando ‘sarro’. E aí ele não aguentou e saiu da escola, com o psicológico totalmente afetado.”

As denúncias foram enviadas com exclusividade ao jornalismo da REDE B HD.  A jovem ainda conta que presenciou um caso de racismo contra uma outra aluna durante o período que esteve na escola. 

“A coordenação, a coordenadora, a inspetora, a funcionária, a moça da cantina, o porteiro… sempre com comentários racistas com o seu cabelo (da aluna). Eu já fui reclamar, todo mundo já foi reclamar. Mas, a escola se faz de ‘sonsa’, diz que não é racismo, que é só opinião deles. Quando é opinião não fere!”

Em outro relato, divulgado nas redes sociais, um adolescente conta que foi maltratado e teve a bolsa de estudo cancelada após se assumir homossexual. 

Ele diz: “achei que podia ser eu mesmo na escola (…) Mas me enganei, fui humilhado pela coordenação apenas pelo fato de que estava usando maquiagem”. 

Ele ainda afirma que as coordenadoras pediram que a maquiagem fosse retirada porque “desrespeitava a instituição de ensino”.

Disse também que os pais dos matriculados não queriam um aluno usando maquiagem e que o irmão também teve o cancelamento da bolsa de estudo porque teria um relacionamento homoafetivo. .

No final da mensagem, o adolescente agradece aos colegas e pede: “Não deixem que elas se esqueçam do quanto a gente foi importante”. O jovem disse que já participou de campeonatos representando a instituição, a nível nacional e internacional.

Foto: Reprodução / REDE B HD


Dias depois, o adolescente mudou a versão.  Em um texto divulgado numa rede social, ele diz que overdadeiro motivo da não renovação da bolsa não foi homofobia, e que a escola não agiu de maneira preconceituosa.  Disse ainda que a falta de diálogo entre ele e a instituição de ensino contribuiu para o agravamento da situação.  E que a unidade escolar se mostrou atenciosa e preocupada com o que aconteceu.

Já em um áudio enviado para nossa equipe, uma aluna diz que a escola não dá apoio psicológico aos estudantes.

“Nunca deram um apoio na nossa saúde mental. Pelo contrário, eles só pioram, sempre. Todo dia a gente tem que rezar e colocam palestras misturadas com o culto.”

A estudante ainda faz uma outra denúncia grave.

“Avisamos o ano inteiro de professores dando em cima de aluno e com piadas preconceituosas em sala.”

A nossa equipe foi até a unidade de ensino para tentar conversar com algum representante.  Fomos atendidos por uma assessora de comunicação, que disse não estar autorizada a gravar entrevista, mas chamou as acusações de ‘fake news’.

Em nota enviada à REDE B HD, a instituição afirma que alguns internautas estão tentando desconstruir a imagem da escola com depoimentos infundados, falsos e oportunistas.
Diz ainda que está tomando as medidas judiciais cabíveis pelos crimes de calúnia, difamação e injúria pelo uso da internet para propagação de notícias falsas. 
E reitera que baseia seus trabalhos com ética, lealdade, afetividade, compromisso e cristianismo.

Sobre o caso da bolsa de estudo, a escola alega que o benefício é de total e absoluta discricionariedade da instituição e possui critérios claros e objetivos para manutenção ou renovação.
Diz ainda que o aluno pode continuar estudando na unidade como pagante.

O colégio não se pronunciou sobre as outras denúncias apresentadas na reportagem.

“Eles nos prometem uma liberdade de expressão sem julgamento. E nada disso é certo, nada disso eles cumprem. Perdemos bolsas por sermos gay’s. Temos que mudar de escola porque não nos sentimos confortável com a nossa. Somos humilhados na frente dos nossos pais. Somos chamados na coordenação e questionados porque estamos levando um simbolo que nos representa.
Dói, machuca. Indignação é tudo que eu sinto.”


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *